sábado, 16 de outubro de 2004

Regresso não anunciado

Retorno aos blogs picado por uma grande abelha chamada “Blogosfera” que José Pacheco Pereira introduziu no meu quotidiano. Esperemos que seja desta.
A blogosfera é, de facto, um espaço privilegiado de opinião. Existe para contrariar os que querem silenciar um direito fundamental de qualquer cidadão num estado democrático. Por mais que alguns digam o contrário, a sua simples existência demonstra-o. E a verdade é que ninguém passa sem ela, nem mesmo aqueles que num programa de rádio (Pessoal & Transmissível, TSF) afirmavam lerem todos os livros que lhe chegavam semanalmente para comentar num espaço que já deixou de o ser. Deve dizer-se que esse Sr., de seu nome próprio Marcelo, atira nesse programa um blague contra JPP dizendo qualquer coisa do género, as horas que JPP passa a navegar na internet eu passo a ler, como se JPP pertencesse àquela lamentavel estatística dos iliterados. O seu blog, as suas crónicas, os seus comentários mostram o contrário. JPP é do melhor que temos em Portugal (sou insuspeito, não faço parte do seu espectro político).

quarta-feira, 1 de setembro de 2004

A Maior Dor Humana

Nada mais oportuno. Chegou o "Barco do Aborto" ao largo da costa portuguesa. O Governo impediu-o de atracar nos portos nacionais sob razões que, sob o ponto de vista jurídico não faço ideia se válidas. Também não interessa.
Camilo Castelo Branco deu o título de "A Maior Dor Humana" a um soneto dedicado ao seu inimigo de estimação Teófilo Braga, depois de este ter perdido a sua filha. Camilo nunca foi grande poeta, mas apesar do mau feitio era um homem sensível, e este é, talvez, o melhor poema que alguma vez escreveu.
Sei o que sentiu quando vi o sangue que jorrava por onde deveria sair o meu filho daqui a meses. Sei o que sentiu quando vi a minha mulher a passar aquelas portas duplas que nunca param de bater uma na outra. Sei o que sentiu quando olhei para uma pequena imagem onde deveria ser visível o meu filho e onde apenas se via nada.
Chorei! Chorei muito! Continuarei a chorar a criança que nunca viu a luz do dia...

Não me interessa o barco...