sexta-feira, 22 de outubro de 2004

A Origem do (des)Governo de Santana

zepovinho

Muito se tem falado da péssima prestação deste Governo de Pedro Santana Lopes. Não tenciono pôr em causa as críticas que, justamente diga-se, têm sido postas a lume àquilo que parece estar a tornar-se num incêndio de proporções ainda maiores que a catástrofe que nos levou as florestas. Pedro Santana Lopes é um péssimo cidadão, um péssimo político e um convencido dos três costados com traços de uma realeza que já não existe. A gestão danosa que fez do município de Lisboa (quem lá vive e/ou trabalha compreende o que quero dizer), a gestão da sua imagem como a coisa mais importante da carreira política e a comunicação ao país com a foto da família e do beijo ao anel do Santo Padre demonstram-no sem qualquer margem para dúvidas. Pior ainda, consegue transformar pessoas competentes como Morais Sarmento numa triste falta de habilidade política.
Mas em toda esta discussão não tenho visto ninguém comentar a verdadeira causa do descalabro em que este país se encontra. Gostaria de lembrar o passado recente (não, não é o PS que aí vem): Durão Barroso.
Talvez seja oportuno lembrar que:
1. Durão Barroso tudo fez para que não houvesse eleições antecipadas;
2. Durão Barroso escolheu Pedro Santana Lopes para o suceder, quebrando laços de solidariedade óbvios, o mais evidente com Manuela Ferreira Leite.
3. Durão Barroso conhecendo Pedro Santana Lopes, sabendo muito bem que é mais vaidoso que político, que o seu propósito é o seu exclusivo interesse, que se não fosse Primeiro Ministro, até era capaz de estar hoje na Quinta das Celebridades (relembro o triste programa da SIC em que participou fazendo-se passar por Primeiro Ministro - mostrou-se um belíssimo treino), podia, com facilidade, ter feito uma previsão do que iria acontecer a este pequeno (não só do ponto de vista geográfico) país.
Daqui decorre que Durão Barroso não pensou em Portugal quando aceitou o cargo europeu. Se o tivesse feito, teria ficado como era sua obrigação. Aliás, convém também relembrar que outros não aceitaram o cargo exactamente por essas razões. Durão Barroso disfarçou o seu interesse pelo país transformando a sua sucessão numa novela sem sentido, quando ela já estava mais que decidida (Sampaio não escapa aqui a algumas responsabilidades). Durão Barroso pensou em si e na ambição (legítima, claro, mas já não tão legítima se a qualquer preço) de altos vôos no teatro internacional.
Eu até o compreendo, porque viver num país como este só dá mesmo vontade de emigrar o quanto antes. E acredito que depois de ter de lidar com verdadeiros energúmenos ao mais alto nível, tenha crescido essa vontade inata de querer partir com a "Valise de Carton”. Eu partiria sem hesitar um só segundo.
Mas Durão Barroso era um alto dirigente com responsabilidades, com compromissos assumidos perante o seu país e em vez de os assumir até ao fim, deixou-nos um bando de incompetentes intratáveis, um deles passeando-se com umas quantas musas da comunicação qual Don Juan.
Durão Barroso é um político hábil, inteligente e firme, qualidades que a Europa talvez necessite. No entanto, esqueceu-se de nós, abandonou-nos num momento difícil.
Não é de todo sustentável que Durão Barroso possa ser responsabilizado pelas más, ou deverei dizer péssimas, decisões políticas deste governo. Essas são da exclusiva responsabilidade dos seus intervenientes. Mas já o é quando pensamos que tudo isto poderia ter sido evitado se o interesse nacional estivesse verdadeiramente em primeiro plano como é pedido a um líder de um partido com vocação de poder e, mais ainda, a um Primeiro Ministro eleito e em exercício.
Foi Portugal quem saiu prejudicado com o negócio. Só para não variar é sempre o Zé Povinho que sofre...

Mais do mesmo

Soros


É livro que vai para a prateleira com a mesma velocidade que entrou. É mais do mesmo. Ele é filmes, ele é livros, ele é tudo e mais alguma coisa para dizer o que já sabemos: Bush não pode ser reeleito...
Mas provavelmente vai!!!

quinta-feira, 21 de outubro de 2004

Serviço Público de Televisão


Não sou perito em comunicação, bem longe disso. No entanto atrever-me-ei, a propósito das declarações de Morais Sarmento, a fazer alguns comentários do ponto de vista de um simples espectador sobre esta polémica.
Em primeiro lugar, que significa "serviço público de televisão"?
1. Quererá dizer que se devem apresentar programas exclusivamente de índole cultural, informativa e formativa?
2.Quererá dizer que cabe na programação, além dos já referidos, programas de entretenimento, devendo apenas ser doseados no tempo de acordo com as necessidades formativas e/ou informativas do momento?
3.Quererá dizer que a RTP terá de passar todo o tipo de programas - entretenimento, formação, informação, etc. - para agradar a "gregos e troianos"?
4.Ou quererá simplesmente dizer que a RTP deve passar o tipo de programação que agrada à maioria da população?
Tenho para mim que agradar a "gregos e troianos" é impossível. Logo, serviço público não é passar todo o tipo de programas, simplesmente porque não é possível. Também considero que o povo simples não merece que o "serviço público" passe exclusivamente por uns quantos intelectuais, professores, políticos e jornalistas. Portanto, a primeira hipótese também pode ser excluída. A quarta hipótese parece-me muito mais de acordo com as leis do mercado e a segunda a mais "politicamente correcta".
Eu não entendo que a RTP, simplesmente por ser de capitais públicos, não possa ser uma espécie de empresa privada que se submeta às leis do mercado. A única condição é que respeite as regras da concorrência livre e justa. No caso de se assumir esta posição as declarações de Morais Sarmento não teriam qualquer cabimento e seriam absolutamente condenáveis por definição.
Mas parece-me evidente que o modelo definido para a RTP não é o de mercado, mas sim o de um serviço que o Estado presta aos cidadãos. Estes, por sua vez, pagam esse serviço através dos seus impostos, o que me parece uma tremenda injustiça, em tudo semelhante ao caso da educação. É que haverão muitos cidadãos a pagar por um serviço que não usam e, pior, que não querem. Como exemplo, perguntem a José Pacheco Pereira se quer pagar para ver um jogo de futebol? E, no entanto, esse jogo pode, com facilidade, ser considerado serviço público.
Voltemos à prestação de serviços pela RTP. Assumindo esse modelo, de facto, o Ministro Morais Sarmento tem toda a legitimidade para fazer as afirmações que fez. É que, parece-me, a definição de "serviço público", de tão volátil que é, tem de ser assumida pelos responsáveis da tutela pois a sociedade não é, por princípio, consensual, devendo aquela [a tutela] assumir as responsabilidades das suas decisões.
Daqui podemos concluir que, assumindo este modelo, a RTP mudará de rumo a cada eleição legislativa, a cada novo governo ou a cada novo ministro. E não me parece ser este o melhor caminho. Será apenas um adiar constante, de discussão em discussão, sem se encontrar nenhuma solução definitiva.
Em suma, ou estamos prontos a assumir a responsabilidade política de tal modelo para a RTP, com todos os custos económicos e políticos que isso representa, incluindo o facto de o Ministro da tutela afirmar que é ele quem manda na programação da RTP (não querendo com isto dizer que a pluralidade da informação possa ser posta em causa), quanto mais não seja pela nomeação dos responsáveis da empresa, ou partimos para a única solução que me parece coerente - a privatização.

P.S.: Ainda a propósito das declarações do Ministro Morais Sarmento, como muito bem afirma JMF, o problema não está nas afirmações em si, mas no contexto político em que as fez. Revelou uma tremenda falta de oportunidade que não lhe conhecia. Tenho Morais Sarmento como pessoa competente (a RTP demonstra-o), mas parece que o síndroma "Gomes da Silva" está a alastrar-se por todo o Governo, fazendo com que todos os outros andem "encostados à parede" para que não reparem neles.

"Pobre País" segundo JPP

A não perder o historial de Pobre País por José Pacheco Pereira no seu Abrupto. É revelador do estado deste POBRE PAÍS.

quarta-feira, 20 de outubro de 2004

Bibliofilias II

carter
Um verdadeiro clássico da bibliofilia que faltava na minha colecção, oferecido pelo meu caro amigo Lourenço Lancastre de Sousa, gerente da livraria Supico & Sousa na Rua do Século, Lisboa.
Existe semelhante em Portugal. Dicionário Técnico dos Termos Alfarrabísticos por Paulo Gaspar Ferreira, pela In-Libris. Paulo Ferreira é filho de um dos maiores livreiros portugueses, Manuel Ferreira, que publica catálogos regularmente.

Bibliofilias

Está para breve a saída do prelo do meu primeiro catálogo como livreiro alfarrabista. Disponibilizarei uma versão electrónica assim como enviarei o catálogo por correio a quem desejar.
É a minha estreia independente neste belo mundo da Bibliofilia.

OUTRAS NOTÍCIAS
VIII Salón del Livro Antiguo em Madrid, de 2 a 6 de Novembro no Hotel Reina Vitocria, Plaza de Santa Ana, 4, com a presença de livreiro português - Pedro Castro e Silva. Estarei por lá nesses dias.

Pedro de Azevedo tem Leilão de livros para breve, assim como Luís Burnay e o Palácio do Correio Velho.

Os Jovens

Hoje no Público vem esta pequena história sobre dois jovens que se dedicaram a esclarecer outros sobre o processo eleitoral do seu país.
É comum afirmar-se que os jovens não se interessam por estas coisas. De facto, pelo menos em Portugal, parece-me evidente que o desinteresse é geral, mas não se fica pelos jovens, vai muito mais longe nas faixas etárias.
Felizmente faço parte de um grupo paroquial, de jovens, que se dedica a olhar para o mundo nas facetas que mais interessam a cada um. Todas as 5.as feiras encontramo-nos e discutimos um problema, um facto, um acontecimento, procurando inspiração nos Evangelhos e na Santa Igreja. Não sei se estamos sozinhos. Espero que não, porque o mundo precisa de jovens interessados no que os rodeia para que, num futuro próximo, possam viver num paraíso já aqui na Terra.
Independentemente da posição política que tenham, quer os jovens americanos, quer os "meus miúdos", como carinhosamente os chamo, são um exemplo que merece uma referência e uma palavra de apreço. A felicidade apodera-se do meu espírito quando penso neles.

Dedicado à Ana Cristina, à Rita, à Susana, ao , ao Tó Zé e ao Vasco. Muito obrigado por se terem intrometido no meu caminho.

Blagues de Esquerda contra Bush

Não, não sou adepto de Bush. Se fosse americano (cruzes, canhoto), votaria Kerry. Devo, no entanto salientar o seguinte: não vai ser Bush a dar a vitória a Bush, vai ser Kerry a dar a vitória a Bush. Será que não existe nenhum gabinete de comunicação de Kerry que comunique (é, afinal, a sua principal função) aos "anti-bush" que só estão a ajudar Bush a ser reeleito?
Tanta tentativa muito pouco acreditada de desacreditar Bush, só vai resultar num descrédito em todas as outras afirmações. Logo, à reeleição de Bush, precisamente o que não se quer (vd. no Blasfémias alguns episódios).
Parece que já descobri onde o nosso PM descobriu as maravilhosas técnicas de comunicação que este Governo usa...

Algo vai mal neste Portugal

Estou adoentado. Sentei-me no sofá, com as pernas embrulhadas numa manta. Só me faltava mesmo o tricot... Jantei, liguei na SporTV para ver o Real Madrid. Pelo meio ía fazendo umas incursões pelo comando à procura dos canais costumeiros. Sic Comédia (novo), Sic Radical (pelas séries de culto – Galáctica, Seinfeld, etc.), História, e os de notícias, nomeadamente o nosso, o Sic Notícias.
Parei no último. Estava a dar o costumeiro debate “esquerda/direita” (um pequeno parêntisis – aquele debate na RTP1 foi assustador e JPP tem razão no artigo que escreve no Público; o mais assustador é que todos contribuem para essa discussão, Sic Notícias não é excepção; quanto mais confuso estiver o povo, melhor). As figuras: Jorge Coelho e Manuel Monteiro. Quando liguei estava no fim. O tema: [ainda] Marcelo Rebelo de Sousa e as pressões (vd. Onde estão as perguntas? de JPP).
Teria sido bom que todos tivessem ouvido a história de Manuel Monteiro sobre as pressões. Ele afirmou, peremptoriamente, que foi impedido pelo partido do Governo de participar num debate para o qual tinha sido convidado, o primeiro de todos na Antena1, nas últimas eleições Europeias.
Eu não costumo dar muito crédito ao Dr. Manuel Monteiro, mas o que ele contou é mais grave que o caso Marcelo.
Marcelo Rebelo de Sousa é um comentador, Manuel Monteiro representa um partido político. Quer se goste ou não, tem o direito constitucional de dar a conhecer as suas propostas aos eleitores em absoluta igualdade com todos os outros. E quanto a mim o caso é mais grave que o de Marcelo pois, numas eleições, os prejudicados são os eleitores que necessitam do maior número de informações possíveis a fim de tomarem, em consciência, a sua decisão de voto. E nos dois casos que Manuel Monteiro trouxe à praça pública, as entidades envolvidas foram a RTP e a RDP! Que raio de serviço público é este que impede um Partido Político de participar num debate onde estão todos os outros representados?
Algo vai mal, neste Portugal.

Futebolices

Perdoem-me os fanáticos adeptos do Benfica.

Gosto de futebol, repito, de FUTEBOL. Isto é, gosto de ver aquele conjunto de homens a lutar pela posse de uma bola de “catchú”, tratando-a como se da sua amante se tratasse, passando-a pelos adversários num bailado ritmado e atirando-a com mestria e destreza ultrapassando a última das defesas.
Gosto muito do meu clube do coração. Amo o Benfica, e é com muita paixão e sofrimento que vejo os jogos do meu clube. Lembro com saudade os tempos de Magnusson, Thern, Mozer, Ricardo, Veloso, Diamantino, Chalana, Humberto Coelho e Néné, o sempre em pé (não me lembro de lhe ver uma mancha nos calções).
Era novo, muito novo...
Muitos dizem que amam o seu clube. Bom, eu também, e julgo que da maneira mais apaixonada que pode haver. Amo com a força da razão. Amar alguém ou alguma coisa (se tal fosse possível), não é, simplesmente, sentir aquela paixão ardente que nos consome, é usar a força de um coração que bate forte, com o uso de uma razão que a sustenta.
Pois bem, eu vi o Benfica-Porto. Sim, é golo. Aliás, é um frango à Ricardo que alguns tentam esconder. Mas, sinceramente, não foi só isso que eu vi. O que eu vi foi o Porto a dominar a primeira parte, a jogar a seu belo prazer e a fazer daquela equipa o que lhe apetecia. Aproveitou um mau atraso do Fyssas (ou deverei dizer Fossas) e marcou um golo muito bonito. E na segunda, meus senhores, o que eu vi foi um Porto “à Mourinho”, frio, à espera, dando a sensação de vantagem a uma equipa que, atabalhoadamente procurava o golo sem saber muito bem como.
Talvez não merecessemos perder, não questiono, mas do que vi, também não fizemos nada para ganhar.
E o que me entristece mais é que temos um lote de jogadores que não são maus de todo, mas que, em momentos cruciais, tremem que nem varas verdes. De que serve o talento se não for acompanhado de cérebro? Simão é o melhor exemplo de todos. Capaz de momentos de verdadeiro talento, de verdadeira “arte futebolística”, quando chegam os jogos em que mais se precisa dele... PUFF! É um ar que se lhe deu. Nuno Gomes? Bom, já nem aquilo que fazia bem – segurar a bola e passá-la com mestria – é capaz. Ficou muito melhor o Benfica depois de ter sido expulso (muito bem expulso, diga-se). Petit, talvez cansado do jogo de 4.a feira, não foi o costumeiro “pau para toda a recuperação”, e Manuel Fernandes, talvez muito verde para estes embates, foi uma sombra do que já demonstrou poder fazer.
Enfim, o Benfica que eu vi não mereceu ganhar. E não se esqueçam, eu gosto de FUTEBOL, não dos árbitros e/ou dirigentes.
E com tudo isto, uma cortina de fumo se levantou. É que, meus senhores, está aí o Orçamento de Estado. Talvez JPP tenha razão, fala-se demais sobre futebol neste país...